AbstractsBiology & Animal Science

Répteis Squamata endêmicos do cerrado : perdas de hábitat e conservação em cenários futuros

by Pietro Longo Mello




Institution: Universidade de Brasília
Department:
Year: 2014
Keywords: Diversidade biológica; Biogeografia; Diversidade biológica - conservação; Desmatamento
Record ID: 1077672
Full text PDF: http://hdl.handle.net/10482/15594


Abstract

Dissertação (mestrado)—Universidade de Brasília, Instituto de Ciências Biológicas, Programa de Pós-Graduação em Ecologia, 2014. Embasado na biogeografia da conservação, que tem como uma das suas principais ferramentas a utilização de dados computadorizados e ferramentas analíticas para auxiliar na solução de problemas ligados à conservação da biodiversidade (Whittaker et al., 2005), busquei neste estudo avaliar os impactos atuais e futuros da perda de hábitat sobre a diversidade e distribuição dos répteis Squamata endêmicos do Cerrado. Meu objetivo central é avaliar como estes cenários de perda interferirão no grau de risco de extinção de cada espécie, classificando cada espécie de acordo com as categorias de ameaça da União Internacional Para Conservação da Natureza - IUCN (IUCN, 2010; Bird et al., 2011). Para tal, elaborei mapas atualizados de distribuição para todas 105 espécies de Squamata endêmicos do Cerrado por meio de modelos de distribuição espacial (Species distribution models - SDM) (ver Guisan & Zimmermann, 2000; Elith et al., 2006) ou mapas de micro bacias quando para representar a distribuição das espécies raras e com poucos registros de ocorrência (ver Nogueira et al., 2010). Os mapeamentos partiram de uma base de registros previamente revisada contendo dados de coleção e fontes bibliográficas seguras (ver Nogueira et al., 2011). Os mapas de distribuição produzidos foram cruzados com projeções futuras para remanescentes de áreas nativas do Cerrado em dois cenários distintos, um no qual as taxas atuais são mantidas sem intervenção ou controle governamental (cenário BAU – Business as Usual), e outro construído a partir da ação governamental para redução das taxas de desmatamento (cenário GOV – Governance). Cada cenário foi ainda estudado em dois intervalos de tempo: de 2010 a 2020 e de 2010 a 2030. Como demandado pela IUCN, 71 além dos diferentes cenários para inserção de margem de incerteza na análise, revisei todas as espécies utilizando os critérios A e B, dependentes de dados de distribuição espacial (IUCN, 2010). Frente aos resultados, fiz a diagnose da distribuição das espécies ameaçadas revisadas neste trabalho frente aos padrões de ameaça impostos pelo desmatamento. A partir desta identifiquei três tipos áreas prioritárias à conservação: áreas de crise (pontos de alta diversidade que provavelmente serão perdidos nos próximos dez anos), áreas de refúgio (pontos de alta diversidade, mas que deverão ser mantidos nos próximos dez anos) e áreas altamente insubstituíveis (cf. Bird et al., 2011). O segundo objetivo do trabalho é calcado em uma das constatações centrais da biogeografia da conservação: tanto espécies quanto ameaças não estão distribuídas ao acaso no espaço (Whittaker et al., 2005; Ladle & Whitakker, 2011). Para grupos de Squamata endêmicos do Cerrado, análises recentes detectaram níveis significativos de regionalização, formando sete conjuntos de espécies co-distribuídas e regionalizadas (Nogueira et al., 2011). Desta forma testei se a perda de hábitat se dá de…